Nós nos apaixonamos no hospital… só um de nós saiu andando.

Nós nos apaixonamos no hospital… só um de nós saiu andando.

Sozinho.

No meu funeral, ele leu uma carta escrita num guardanapo do hospital — daqueles em que me ensinava a desenhar:

“Ana me ensinou que viver não é a quantidade de dias que você respira, mas a quantidade de momentos que tiram o seu fôlego.
Ela teve 32 anos, mas viveu mais em um mês do que a maioria vive a vida inteira.
Ela me salvou quando eu achava que era ela quem precisava ser salva.
E mesmo que o universo seja cruel e absurdo, e mesmo que tenha me tirado a única pessoa que me fez querer viver justo quando eu aprendi a fazê-lo… eu não me arrependo.
Porque conhecê-la, mesmo por tão pouco tempo, valeu cada segundo da dor que veio depois.”

Hoje, dois anos depois, Lucas continua vivo.
Continua em remissão.

Ele fez uma tatuagem de um guardanapo com um desenho horrível de duas pessoas de mãos dadas.
Embaixo está escrito: “O casal do 408”.

Ele doa para organizações que combatem infecções hospitalares.
Visita o hospital todo mês levando café decente para as enfermeiras que cuidaram de nós.

E toda terça-feira à tarde, sem falta, ele se senta no banco em frente à emergência, com dois cafés.

Um pra ele.
E outro para o fantasma de uma garota que o amou tanto que morreu fazendo isso.

A vida é injusta assim.
Às vezes você salva alguém da morte…
e a morte cobra a conta de você.

Mas mesmo assim,
valeria a pena.

Sempre valeria a pena.

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